Epidemia em Dourados

Governo estadual ativa protocolo de internação imediata em casos de chikungunya

Texto cria um fluxo prioritário para casos graves ou com risco de agravamento, diante da sobrecarga no sistema de saúde

Governo estadual ativa protocolo de internação imediata em casos de chikungunya - Foto: Arquivo Pessoal Governo estadual ativa protocolo de internação imediata em casos de chikungunya - Foto: Arquivo Pessoal

Para frear a epidemia de chikungunya, o governo de Mato Grosso do Sul publicou nesta terça-feira (7) um protocolo emergencial que obriga a transferência de pacientes graves em até uma hora após o pedido de regulação.

A medida foi oficializada por resolução assinada pela secretária estadual de Saúde, Chrystinne Maymone. O texto cria um fluxo prioritário para casos graves ou com risco de agravamento, diante da sobrecarga no sistema de saúde.

Pelo protocolo, a chamada “vaga zero” pode ser utilizada em situações excepcionais. O recurso permite a transferência imediata de pacientes críticos, mesmo sem a disponibilidade formal de leitos. A regra busca evitar que pessoas permaneçam em unidades sem estrutura adequada, o que aumenta o risco de complicações e morte.

O fluxo estabelece uma ordem de prioridade entre hospitais. O primeiro destino deve ser o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Sem resposta ou vaga, o encaminhamento segue para o Hospital Regional. Caso não haja aceite, a transferência deve ocorrer obrigatoriamente por vaga zero.

A resolução também define o que é considerado caso grave. Entram nessa categoria pacientes com falência de órgãos, necessidade de UTI ou sinais de rápida piora. Pessoas com comorbidades, idosos, gestantes e indígenas também são classificadas como grupo de risco.

O texto reconhece o cenário crítico da doença no estado. A taxa de positividade da chikungunya varia entre 72% e 79%, índice considerado extremamente alto e que indica intensa circulação do vírus.

A norma determina que a falta de resposta de hospitais não pode atrasar a transferência. Nesses casos, a decisão deve ser imediata por parte do médico regulador. As unidades de saúde também não podem recusar pacientes por superlotação e devem garantir ao menos a estabilização inicial.

A medida é temporária e permanece válida enquanto durar a situação de emergência em saúde pública provocada pela epidemia.

Dados divulgados pela Prefeitura de Dourados nesta terça-feira mostram o avanço da chikungunya no município. Até a Semana Epidemiológica 10, foram registradas 3.971 notificações. Desse total, 2.859 são casos prováveis, 1.442 confirmados, 1.973 estão em investigação e 556 foram descartados. A taxa de positividade chegou a 72%.

A análise indica que a epidemia ainda está em curso. Apesar de sinais de queda nas semanas mais recentes, os números podem sofrer impacto por atraso nas notificações.

A rede de saúde enfrenta pressão crescente. A UPA registra média de 451 atendimentos diários, com aumento desde 23 de março. Atualmente, 40 pacientes estão internados com suspeita ou confirmação da doença.

A distribuição dos casos aponta maior concentração em algumas regiões. A Unidade Básica de Saúde da Aldeia Bororó I lidera com 582 notificações. Em seguida aparecem o posto do Jóquei Clube com 256 casos e a unidade Seleta com 189 registros. Também registram números elevados as unidades do Parque das Nações II com 72, Maracanã com 66 e Parque do Lago II com 75.

O município confirmou cinco mortes por chikungunya, todas na Reserva Indígena. Há ainda três óbitos em investigação, sendo dois de indígenas.

A população indígena é a mais impactada. São 1.697 casos prováveis e 1.153 confirmados, além de 2.088 notificações e 237 atendimentos hospitalares. Inicialmente concentrada nas aldeias, a doença já avança para a área urbana.

Diante do cenário, a prefeitura mantém o alerta de emergência em saúde pública. O município intensifica ações de vigilância, combate ao mosquito transmissor e atendimento à população. A orientação é eliminar criadouros e procurar atendimento ao surgimento de sintomas.

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