Nem mesmo após ser enterrada, a vítima de feminicídio registrado em Eldorado teve sua dignidade preservada. Três dias depois de ser morta, Vera Lucia da Silva, de 41 anos, teve o corpo retirado da sepultura e violado dentro do cemitério do município.
O caso, que já era considerado de extrema violência, ganhou um novo e chocante desdobramento. De acordo com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, há indícios de que o autor do ato tenha praticado necrofilia, crime caracterizado por ato sexual com cadáver. A hipótese ainda depende de confirmação por meio de exames periciais.
A violação do túmulo ocorreu entre a noite de terça-feira (14) e a madrugada de quarta-feira (15). Logo nas primeiras horas do dia, equipes da perícia estiveram no local para coletar vestígios e iniciar os procedimentos técnicos. Até o momento, ninguém foi preso, e as investigações seguem para identificar o responsável.
Vera foi assassinada no último domingo (12), dentro da própria residência, no bairro Jardim Novo Eldorado. Segundo apurado, o ex-companheiro efetuou dois disparos contra ela e, em seguida, tirou a própria vida no quintal da casa. A filha do casal, de apenas 9 anos, presenciou toda a cena.
O relacionamento entre vítima e agressor durou cerca de 13 anos, mas já havia sido encerrado há oito. Durante esse período, conforme relatos, houve histórico de conflitos e episódios de violência doméstica. Vera chegou a solicitar medida protetiva contra o homem.
Servidora da área da educação e formada em Pedagogia, Vera era conhecida entre amigos e colegas como uma mulher dedicada e trabalhadora. Ela deixa quatro filhos. Diante da tragédia, a prefeitura do município decretou luto oficial e suspendeu atividades para que servidores pudessem participar das despedidas.
O caso é tratado com cautela pelas autoridades, especialmente diante da gravidade das suspeitas. A polícia aguarda laudos técnicos que devem esclarecer as circunstâncias da violação do corpo e confirmar a natureza do crime.

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