Patriarca da família, Roberto Razukl, ao centro, e descendentes, Rafael e Jorge - Reprodução/Redes Sociais
Deputado estadual
Denunciados
O juiz da 4ª Vara Criminal de Campo Grande (MS), José Henrique Kaster Franco, manteve na prisão os que considera “chefões” da quadrilha ligada ao jogo do bicho, corrupção e lavagem de dinheiro, alvos da Operação Sucessione IV, desencadeada em 25 de novembro de 2025.
Continuarão presos os acusados Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto, Rafael Godoy Razuk, Gerson Chauan Tobji, Flávio Henrique Espíndola Figueiredo, Jonathan Gimenez Grance, Marcelo Tadeu Cabral e Rhiad Abdulahad.
Os outros envolvidos, Sérgio Donizete Balthazar, Samuel Ozorio Júnior, Odair da Silva Machado, Paulo Roberto Franco Ferreira, Anderson Alberto Gaúna, Willian Ribeiro de Oliveira, Jean Cardoso Cavalini e Paulo Sérgio Sgrinholi, tiveram a prisão preventiva revogada pelo magistrado, mas terão de cumprir medidas cautelares, sendo que a principal delas é a de usar tornozeleira eletrônica por um prazo de 90 dias.
Flávio Espíndola Figueiredo, que está foragido, deverá ser citado por edital. Ele ainda tem contra si o mandado de prisão preventiva.
Para aplicar a decisão sobre os réus no processo em que respondem por jogo do bicho, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o juiz José Henrique Kaster Franco usou sua sentença anterior, que condenou outros envolvidos no esquema, como base.
O objetivo é não aplicar, no decorrer do processo, pena mais gravosa que a dos que já foram sentenciados em edições anteriores da mesma operação. Por isso, apenas os que são considerados chefões ficarão na cadeia.
O deputado estadual Roberto Razuk Filho (PL), o Neno Razuk, já está condenado em função de operações anteriores, com uma pena de 15 anos e 7 meses de prisão. Apesar disso, continua exercendo seu mandato de deputado estadual normalmente e ainda é pré-candidato a deputado federal pelo PL.
No caso dos 20 réus da Operação Sucessione IV, conforme as investigações feitas pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (Gaeco-MS), o grupo operava de maneira estruturada, tinha uma clara divisão de tarefas e aplicava mecanismos de lavagem de dinheiro.
Uma das formas que o grupo usava para lavar dinheiro era o uso de empresas de fachada.
A organização criminosa, segundo o Ministério Público, também empregava violência e corrupção de agentes públicos para assegurar a manutenção das atividades ilegais do grupo.
São descritos três episódios de roubo majorado de operadores do grupo adversário na exploração do jogo ilegal, ocorridos em outubro de 2023, em Campo Grande.
O deputado estadual Neno Razuk também é réu (ele tem foro especial), além de dois policiais militares da reserva. Dois irmãos do parlamentar e o patriarca da família também são réus.
O acervo probatório que fundamentou o recebimento da denúncia inclui dados obtidos por meio de interceptações telemáticas, que sugerem a hierarquia interna e o controle financeiro do negócio clandestino. Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de aposta, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em espécie.
Documentos financeiros também indicam a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros como estratégia para ocultar a origem dos recursos.
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