A Santa Casa de Campo Grande anunciou nesta quinta-feira (15) que restringirá os atendimentos a casos de urgência e emergência em até 24 horas. A decisão ocorre após a instituição não aceitar as condições financeiras propostas para um novo contrato com o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura da Capital.
Segundo o superintendente hospitalar, Luiz Alberto Kanamura, a mudança pretende preservar os recursos disponíveis para os pacientes em situação mais grave. Conforme o anúncio da direção, o hospital deixará de funcionar com acesso direto e passará a exigir encaminhamento formal pelo Complexo Regulador Estadual (Core).
Pacientes que puderem receber assistência em outros hospitais terão a transferência solicitada. A possibilidade inclui pessoas já internadas, desde que apresentem condições para o encaminhamento. A direção esclareceu que a solicitação não significa que todas serão necessariamente transferidas e que ainda avalia quantos pacientes poderão ser afetados.
Kanamura afirmou que houve avanço nas discussões técnicas do novo contrato, mas não um entendimento sobre os valores necessários para manter os serviços. Diante da divergência, a administração decidiu não assinar o documento.
Na avaliação do superintendente, o financiamento precisa ser compatível com os atendimentos exigidos da instituição para evitar a continuidade das dívidas e das restrições assistenciais.
Ainda segundo Kanamura, Estado e Município solicitaram que o hospital ajuste sua estrutura ao orçamento disponível, com redução de leitos e serviços e concentração em áreas de alta complexidade e referência estadual.
Entre os atendimentos citados estão os destinados a politraumatizados graves, neurocirurgia, ortopedia, cardiologia, cirurgia vascular e grandes queimados.
A administração também relata falta de materiais, órteses, próteses e outros insumos necessários aos procedimentos. A restrição será comunicada à Justiça, ao Ministério Público e às secretarias municipal e estadual de Saúde.

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